quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Sobre as nossas frases geniais - Parte I


“Trinta é o novo vinte!”
Rodrigo Brandão, filosofando sobre sua idade mental.

“Se tudo der errado, viro puta!”
Juliana Dantas, prestes a (finalmente!) descobrir sua vocação profissional.

“Ai, minha santa da buceta rosa!”
Ligia Prestes, evocando seus próprios deuses.

“E todo mundo pode ter esse twenty*?”
Elceli Dantas - ou minha mamãe-, tentando enturmar com a tecnologia.
* twenty = twitter

“Nossa, minhas ex-namoradas me surpreendem! Você, terminou um namoro de anos e casou rapidamente com outro. A Carú, começou a namorar um coroa, engravidou e hoje é mãe. Meu deus, não queria nada disso pra mim... Rarará!”
Fernando Trigo, provando que nunca se deu conta de que era ele que não prestava pra gente.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Sobre O Que Importa na Vida e a Arte do Desapego


Óquei. Eis que um belo dia você se dá conta de que os anos passam, as pessoas mudam (para pior, sinto lhe informar) e, sim, seus ancestrais tinham completa razão quando diziam que o ser humano realmente não tem limites (com o perdão do eufemismo). Ninguém se respeita, é cada um por si e - com sorte - oxalá por todos, as pessoas se julgam indiscriminadamente e o caos é regido pela tolerância zero. Tipo, uma merda.

Porém, como nem tudo está perdido e existem sim, personas evoluídas nesse mundão de meu deus, estou bem pensando em acionar meu networking super-vip e lançar um novo curso: “Sobre O Que Importa Na Vida e a Arte do Desapego”, uma espécie de extensão do “Sobre o Verdadeiro Fim e a Arte do Esquecimento”, seminário anunciado aqui nesse blog no ano passado. O objetivo, vale sempre explicar, é incentivar os ouvintes a evoluir nas escalas de seus pensamentos e sentimentos. Confuso? Explico.

O primeiro módulo será ministrado pelo mestre Paulo Coelho, claro. Além de mago, ele é ainda membro da Academia Brasileira de Letras. Tipo, gênio. Com ele, os alunos aprenderão que sim, é possível coçar até os quarenta, usar várias drogas, ficar doidão e, de quebra, ainda se tornar multi-milionário. Ou seja, o objetivo dessa primeira etapa de aula é basicamente mostrar que dá sim para ser feliz sem entrar no esquema.

O que? Você acha que o Paulo Coelho é ruim e não presta para aula inaugural? Não faz mal, afinal (oh, rimou!) um dos objetivos principais do curso é justamente ensinar a não ligar pro que os outros pensam. Logo, o conselho organizador desse barraco não dá a mínima para sua antipatia.

Vamos ao segundo módudo, esse sim, muito, muitíssimo importante. Muito mesmo. Nele, os alunos serão convidados a tirar a roupa e ficar peladões durante toda a aula. Assim, rapidamente sentirão frio, calor, vergonha, tesão etc etc etc. Quando já tiverem bem avonts, acostumados uns com os outros do jeitinho que vieram ao mundo, pronto, serão estimulados a escrever uma redação individual sobre o que acharam do coleguinha ao lado. Diante da possibilidade de ser humilhado publicamente, o aluno certamente enaltecerá as características positivas de outrem. O tratamento é de choque, eu sei, mas a humildade é ensinada instantaneamente, acreditem.

O mestre do terceiro módulo é o ilustríssimo Karl Marx (amém!). Com as lições da nossa apostila psicografada, os alunos retomarão toda aquela groselha de mais-valia, modo de produção e blah blah blah. O intuito é eles se darem conta de que carreira profissional não passa de manipulação da massa. Assim, se tudo é uma grande exploração, vamos parar de querer gongar os colegas da firma, meudeusdocéu! E se mesmo assim você sentir que a sua vocação é puxar o tapete, trate de pleitear uma vaga na Tabacou e seja feliz pra sempre.

O último modulo do curso será ministrado pelo Dalai Lama. Em uma vídeo conferência na calada da madrugada (por conta do fuso, lógico!), os alunos aprenderão a amar uns aos outros e a cultivar sentimentos nobres como a compaixão, a bondade e tudo mais. Nele, todos aprenderão a cantar o mantra do Amor Total, em manganês. E se você não se dá muito bem com idiomas, no worries! Somos democráticos e o mantra poderá ser facilmente substituído por canções populares como “All We Need Is Love” ou “Positive Vibration”. O importante é manter o sorriso e a leveza, por que dessa vida, people, não se leva nada.

Para finalizar o post, claro que o conselho do curso entende que a humanidade é uma massa em evolução e portanto, incapaz de reconhecer a própria deficiência. De olho nisso, desenvolvemos um “Vale Desapego”: em vez de se auto- matricular, você poderá envia-lo aos outros, de presente.

Inscrevam seus vizinhos mal educados, chefes que abusam do poder, passantes inconvenientes, ex-namoradas do seu atual namorado, aspirantes a tapeceiros deslocados que foram parar ao seu lado na firma, enfim, todo mundo que merece uma grande lição.

Enviaremos um e-mail anônimo com o formulário de inscrição e, pronto. Ao final do curso convocaremos você para a reunião de pais-emocionais, que é pra dizer se o pupilo foi aprovado! Ou não.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Releitura ou repostagem: que é pra deixar claro quem é que nasceu para salvar o mundo

- LSD é melhor que plasma.
- Mããããe!
- Não é, moça? Não é verdade que LSD é bem melhor que plasma?
- ...
- Mamãe!
- LSD é o melhor!

Não, minha mãe não é nenhuma ex-hippie. E esse papo não rolou num retiro psicodélico. Na verdade, o breve diálogo se deu nos corredores do Carrefour ontem à noite, minutos antes de mamãe comprar uma nova ...

- Mamãe, não é LSD. É L-C-D. LSD é bom mesmo, mas não vende em supermercado.

Minha mamãe é assim. Ela troca as palavras e não está nem aí. Ela nunca aprendeu que eu sou eu, e que o Gabriel é meu irmão que é homem. Fazer o quê, a gente se ama. É incondicional.

Ela é cheia de coragem, acima de tudo. E é especialmente por isso que ela é única, não tem outra igual.

Não se trata de uma coragemzinha dessas de bobagem, que eu tenho demais e ela tem de menos, tipo coragem de dirigir, de pular de pára-quedas, de viajar sem rumo e de andar pelas ruas de SP tarde da noite. A dela, da minha mamãe, é coragem da alma, essa que só ela carrega em excesso, e que carece ao resto da humanidade.

Ela tem um jeito de quem veio à vida a passeio, mas nasceu mesmo para salvar o mundo. E, despretensiosa, nem se deu conta de que dentre tantas outras crianças salvou a mim, no dia 31 de julho de 1982, lá na Santa Casa. E em 31 de dezembro de 1985, em algum lugar do interior de São Paulo, deu a sorte ao Gabriel.

Tudo bem você trocar os nossos nomes. A gente te ama mesmo assim. Você é o maior amor do nosso mundo.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Por que a vida está por um instante, meu bem

"Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. (...) Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração.(...) Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou — descuidado, também — em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia. Era isso - aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania". (Caio Fernando Abreu)

E se eu tinha alguma dúvida (confesso que ora ou outra era acometida por uma vontade-louca de largar tudo e viajar o mundo, ou `as terças-feiras, quando sentia aquele desejo (quase) involuntário por um passante - e então me perguntava se os homens eram, para mim, como cigarros), naquele doce instante, pronto, ela se dissipou. Eu jamais encontraria nas andanças pelo mundo um olhar como o seu, tão atento. E nem o prazer que sentiria ao curar em qualquer esquina a concupiscência da carne, nada, nada disso se igualaria ao que vi em você.

Foi uma luz, instantes de elevação da alma. Segundos de profunda consciência que quase conflitavam com a sensação fisíca de um ventre, como se seus braços fossem uma placenta mesmo, que me protegiam de toda maldade e dureza desse mundão lá de fora. Naquele momento tive certeza de que você foi enviado por Deus. Na minha vida esvaziada, sem laços, nem lastro, você estaria lá, pro meu eterno retorno. Amém!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Destilando o veneno

Com a leveza de quem definitivamente enterrou Auschwitz no cemitério das recordações, ela discriminava todo tipo de minoria (bichas, pretos, índios, macumbeiros e principalmente aqueles que configuravam dupla contraposição `a maioria). Vergonhosamente, a moça então se dirigia apenas aos que julgava seus iguais. Claro que a mulher, coitada, não se dava conta do próprio desastre. Afinal, além de sofrer de Alzheimer histórico, ela foi aparentemente acometida por uma moléstia recorrente entre seres opulentos: cegueira da alma. Impossibilitada de enxergar que o mundo é pardo, a massa é pobre, e sexo (bom) é sujo, ela vivia feliz e contente em um mundo monocromático e uníssono onde todos eram assim, como ela. Racistas e inférteis, naturalmente.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Benção

Nessa portada, quero escrever teu nome de baiano (sim, porque pra casar comigo, você sabe, pode ser alemão, mas tem que ter um pouco de Bahia na alma). Um dia vieste de passagem, ficaste para sempre. Aqui, neste jardim onde crescerão nossos filhos e netos, entre as árvores que plantaremos, no culto da amizade, tomo de tua mão de namorado e te proclamo Ricardo de Xangô, homem de Iansã, doce companheiro, jovem coração irredutível, único e sem comparação.*

*Texto adaptado ( Jorge Amado para Zelia Gattai, em "Bahia De Todos Os Santos").

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A loucura dos outros

Cansada de ser sempre amiga dos amigos dos outros, ela criou um universo de amigos (próprios) imaginários. Generosa, não só deu vida aos protótipos de sua mente, como os ensinou a preencher os desvãos de seu coração. E então eles lhe escreviam cartas, ligavam nos momentos em que se via sozinha na multidão, mandavam torpedo e, inclusive, escreviam "testemoniais" no orkut, elogiando demais tudo aquilo que ela tinha de menos. Claro que as pessoas em geral não se davam conta das mentiras da pobre moça. Aparentemente, ela poderia ter uma vida supernormal, não fosse o desconforto que sentia diante da solidão que é comum a (quase) todos os seres pensantes. Além do mais, se alguém ligereiramente desconfiasse de seus amigos, ela logo armaria uma festa, distribuiria convites, postaria scraps e, pronto, partiria numa sexta-feira para um baile qualquer. Quando todos os gatos são pardos, ela dançaria loucamente. E na lotada pista dos perímetros de sua imaginação, ela esbarraria em si mesma.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Passion

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Na presença de um "tranca-caminho"

- Como assim você "sente"?
- Oras, eu sinto, pronto. Eu simplesmente sei identificar se a persona é um... um... "gremilin".
- Ãh, sei, quer dizer então que se trata de uma constatação aparente?
- Não, não é nada disso. Quando digo gremilin não considero apenas a aparência. Tudo se trata, na verdade, do espírito. Algumas pessoas são assim, nocivas. Talvez nem tenham total consciência do dano que causam ao seu redor.
- Quer dizer então que não podemos culpá-los, já que nem sempre sabem que são nefastos?
- Não categoricamente. Porém, não se deve isentá-los com o argumento de que não conhecem a si mesmos. Francamente, não existe ingenuidade quando se trata de maldade.
- É, ninguém é mau por engano, ou porque não se deu conta.
- Veja. O que ocorre, de maneira geral, é que essas pessoas resgatam nas próprias vidas justificativas para apresentarem a si mesmas. Crêem que são justas, pois o exercício da maldade, do mau agouro e da inveja, nada mais é, aos olhos delas, a tentativa de se vingar de uma vida que tão cruelmente as tratara.
- É como se fossem desafotunados e inconformados? Ou como se tivessem vivido no céu algum dia e, ao perdê-lo, não se conformaram em viver no chão comum de homens comuns e, em desespero, mergulharam no inferno?
- Essa poderia ser uma explicação para esse tipo de comportamento. Sem poder beber o néctar dos deuses, preferiram então beber gim ordinário. Poderia. Porém, ao meu ver, essas pessoas chafurdam na lama porque sentem prazer nisso, entende? Muitos são os desafortunados. Milhares estão por aí sem beleza, afeto e bens, mas isso não os torna um exército de pessoas más. Vê? O mal não pode brotar do bem! O mal sempre esteve alí, latente. E embora muitos justifiquem - ou para si mesmos ou publicamente - que são perversos por conta das desditas da vida, o que fazem, na verdade, é romper suas defesas, libertando-se para se mostrarem tal como são nas suas essências.
- E o que você faz quando percebe que está lidando com uma pessoa dessas?
- A única brecha pra esse tipo de maldade é a ausência de consciência. Uma vez que você enxerga as reais intenções de uma pessoa ruim, pronto, é como se já estivesse imune. A não ser que seja um tolo, será naturalmente ardiloso. E a melhor conduta, nesse caso, é fingir-se presa de seu predador.
- Mas e se a maldade me alcançar?
- Fique tranquilo. Na consciência, ela jamais o alcançará.
- Hum...
- Não brigue, não fale, não mostre o que você sabe. É assim, simples assim.

Exú não falava, não perguntava. Exú observava. Exú aprendeu tudo!*
* Frase tirada do site do João Wainer, fotógrafo.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Na ausência de palavras, cores